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O peso da liberdade: o que Sartre pode nos ensinar sobre as escolhas que evitamos

  • Foto do escritor: Administração Warmup
    Administração Warmup
  • há 18 horas
  • 2 min de leitura

Muitas pessoas procuram explicações para os impasses que atravessam.


Eye-level view of a neatly organized workspace with a planner and stationery
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A empresa não é mais a mesma. O mercado mudou. Os filhos cresceram. O casamento se transformou. A carreira perdeu o brilho. O país atravessa uma crise.


Em muitos casos, tudo isso é verdade.


Mas existe uma pergunta mais desconfortável: e se parte do problema não estiver apenas nas circunstâncias, mas também na liberdade que temos diante delas?


Foi essa a questão que acompanhou grande parte da obra de Jean-Paul Sartre.


Para o filósofo francês, os seres humanos ocupam uma posição singular.


Diferentemente dos objetos, que possuem uma finalidade definida, nós chegamos ao mundo sem um roteiro previamente escrito.


Não nascemos destinados a ser uma determinada pessoa.


Vamos nos tornando aquilo que fazemos de nós mesmos.


A consequência dessa ideia é tão libertadora quanto inquietante.


Se não existe uma essência pronta que determine quem somos, então nossas escolhas possuem um peso inevitável.


Mesmo quando não escolhemos.


Sartre observava que muitas vezes tentamos escapar dessa condição. Procuramos nos convencer de que somos apenas o papel que ocupamos, o cargo que exercemos ou a identidade que construímos ao longo dos anos.


O executivo se torna apenas executivo.

O empresário se torna apenas empresário.

O professor se torna apenas professor.

Como se o papel pudesse substituir a pessoa.

Mas a vida costuma interromper essa ilusão.

Uma aposentadoria.

Uma sucessão empresarial.

Uma mudança de carreira.

Uma demissão inesperada.

Uma crise na meia-idade.


São momentos em que as identidades habituais deixam de oferecer respostas suficientes.


Aquilo que parecia sólido revela sua fragilidade.


É justamente nessas passagens que a liberdade reaparece.


Não como uma conquista heroica, mas como uma exigência.


A pergunta deixa de ser "o que aconteceu comigo?" e passa a ser "o que farei com aquilo que aconteceu?".


Essa mudança de perspectiva não elimina a dor das perdas nem reduz a complexidade das circunstâncias. Ela apenas devolve ao sujeito uma responsabilidade que frequentemente preferimos evitar.


Sartre chamava de má-fé o esforço de negar essa responsabilidade.


A má-fé não é uma mentira dirigida aos outros.


É uma mentira dirigida a nós mesmos.


Ela aparece quando nos convencemos de que não temos escolha alguma, quando reduzimos nossa existência às condições externas ou quando nos refugiamos em identidades que já não correspondem àquilo que somos.


Paradoxalmente, esse movimento costuma produzir alívio momentâneo e sofrimento duradouro.


Afinal, aquilo que recusamos escolher continua nos acompanhando.

As perguntas adiadas não desaparecem.

Elas apenas aguardam.


Talvez por isso as grandes transições da vida sejam tão desafiadoras. Elas nos obrigam a reconhecer algo que preferiríamos esquecer: que somos mais amplos do que os papéis que desempenhamos e mais livres do que frequentemente gostaríamos de admitir.


A liberdade, para Sartre, nunca foi sinônimo de conforto.

Ela é, antes de tudo, uma responsabilidade.


Mas talvez seja justamente aí que reside sua importância.


Porque uma vida inteiramente determinada pelas circunstâncias pode parecer segura.

Mas dificilmente pode ser chamada de nossa.

 
 
 

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